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Gritos mudos

7 de Julho, Mais uma madrugada Qualquer

Ela era uma sonhadora...
Sonhava de alma calada, pè descalço, coração bem aberto na esperança que alguem um dia ouvisse os seus gritos silenciosos,que alguem percebesse que palavras ditas não eram deveras o seu melhor e que cada lágrima caida valia por mil palavras que não conseguiu
 dizer, por gritos que ninguem ouviu... 
Então um dia um tal de Senhor Eduardo, psiquiatra, numa instituiçao já para ela conhecida como casa de férias, disse: ESCREVE!!!!! Grita nas páginas, espanca as linhas... 
Turbilhão de sentimentos em cada linha, uma facilidade imensa em dançar com cada vírgula e numa azafama de tanta coisa sentida, recuperava o folego a cada vez que pontuava com reticèncias...
Não escrevia por querer ser escritora ,escrevia sim como quem grita ao mundo na beira de um precipício,sim era assim que se sentia a maioria das vezes, ninguem entendia o quanto sofria em silèncio, ninguem sabia os segredos que ela a medo ocultava, porque o Pavor e o receio eram seus amigos diários, de que um dia tudo fosse descoberto...
Inocència roubada  por um canalha que tão soziável era com o mundo mas que na realidade não passava de um miserável que lhe tocava o corpo de ainda tao menina como quem desflora uma mata nunca Antes tocada...Agoniava...Chorava silenciosamente sentindo o sabor de cada lágrima em seus labios...Ela Desejava ser grande para ter a força de o fazer parar... desejava conseguir fugir a cada vez que ele a obrigava a beber um copo de vinho tinto e de seguida se consolava no corpo dela...Tantas vezes ela desejou que aquele ser tão podre morresse... sim que moresse e apenas a deixasse ser a criança que era suposto ser...
Inocência Roubada....
Fez de si o furacão de hoje em dia, a semelhança entre si e tempestades tropicais são tremendas, sendo que Tantas vezes mais de 15 anos passados continua a ter pesadelos,onde revê as vezes em que ele consumiu o seu corpo  Sem dó nem piedade...
Porque não o matas Senhor! Implorou tantas vezes nos dias piores...
Ela deixou de ser menina , passou a ser a mulher que não cala, grita, desafia o mundo porque nem o mundo teme....
Ela grita,chora mas não fala...escreve.
Purifica a alma a cada palavra escrita, renova o espirito ainda tão jovem mas segue pedindo socorro nas entrelinhas, vive aqueles pesadelos de outrora continuamente, porque a Inocençia Roubada ainda vive dentro dela...
Hoje ela è o reflexo disso tudo...
Rapariga Anonima

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